II ENCONTRO NACIONAL SOBRE COLEÇÕES BIOLÓGICAS E SUAS INTERFACES:

BIOPROSPECÇÃO E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

O Instituto Vital Brazil, a Casa de Vital Brazil em parceria com a Rede Vital para o Brasil - Rede Nacional de Informação, Diálogo e Cooperação Acerca dos Animais Peçonhentos tem a satisfação de convidá-los a participar do II Encontro Nacional sobre Coleções Biológicas e suas Interfaces (II ENCBI), que ocorrerá de 10 a 13 de fevereiro de 2020, de segunda à quinta-feira, no Auditório Milton Santos do Instituto de Geociências da  UFF localizado na Av. Gal. Milton Tavares de Souza, s/nº, Campus da Praia Vermelha. Boa Viagem. Niterói - RJ.

A relevância das coleções biológicas para produção de ciência de qualidade do país representa a principal fonte de motivação para a realização deste evento.

 

Por meio do II ENCBI, buscamos dar publicidade e promover uma geração de pesquisas interdisciplinares, desta vez dedicada aos interesses globais em conciliar bioprospeção e conservação da biodiversidade.


Pretende-se, ainda, estimular a reflexão sobre as prioridades de gestão e manutenção das coleções científicas dentro do panorama nacional e debater sobre meios de elevar a qualidade das atividades inerentes ao tema e seus profissionais em nosso país.

Todos os esforços estão sendo mobilizados para que o II Encontro Nacional sobre Coleções Biológicas e suas Interfaces represente o início de muitas confraternizações em prol do desenvolvimento das ações conjuntas e dos avanços do conhecimento para melhor servir a todas as comunidades.

 

Este evento faz parte da agenda de atividades de comemoração dos 100 anos do Instituto Vital Brazil e está sob a coordenação dos professores Breno Hamdan e Fernanda Brito, assim como conta com o apoio da FAPERJ e da FEMPTEC.

 

Sejam muito bem-vindos!

II ENCONTRO NACIONAL SOBRE COLEÇÕES BIOLÓGICAS E SUAS INTERFACES:
BIOPROSPECÇÃO E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

 

O planeta Terra é megadiverso, possui uma história antiga e pode abrigar de 5 a 100 milhões de espécies, das quais apenas  1,5 milhões foram nomeadas. Nós Homo sapiens compartilhamos este belo planeta com toda esta megadiversidade. Animais, plantas, fungos e outros microorganismos por aqui há muito tempo habitam, embora hoje eles também nos alimentem, nos mantêm saudáveis, fornecendo bens e serviços que variam de ecoturismo a materiais de construção. Estima-se que cerca de 50% dos medicamentos disponíveis na terapêutica são desenvolvidos a partir de fontes naturais, sendo 25% de plantas, e o restante de microorganismos e animais. Através dos milênios, nós H. sapiens desenvolvemos maneiras engenhosas de explorar o planeta para nosso bem-estar, entretanto o nosso retorno para a conservação desta biota silvestre permanece pífio.

A história da nossa espécie é recente, datada para o Pleistoceno médio entre 300 e 700 mil anos atrás, todavia tem provocado perdas irreversíveis à biodiversidade global devido à citada sobrexplotação de recursos. São documentadas centenas de extinções relacionadas a ações antrópicas nos últimos 500 anos. No Brasil, por exemplo,  o rato-de-fernando-de-noronha Noronhomys vespuccii, a perereca-verde-da-fímbria, Phrynomedusa fimbriata, a ave Arara-azul-pequena, Anodorhynchus glaucus, dentre outros estão extintos. Apenas como referência, Serpentes têm habitado o planeta desde o Cretáceo/Jurássico entre 150 e 200 milhões de anos, enquanto os Escorpiões desde o Paleozóico há 400 milhões de anos, e não há única notícia sobre desmatamento, rompimento de barragem, derramamento de petróleo ou extinções ocasionados por estes animais.

A importância da  biodiversidade  para  o  bem-estar  e  a  saúde  humana  só  ganhou  destaque nas últimas décadas com a  necessidade da conservação e do uso racional dos recursos para bioprospecção. Esforços para proteger estas espécies são urgentes, seja para aqueles que acreditam que a coexistência faz o mundo melhor ou para outros, que acreditam ser importante conservar porque a biota fornece um retorno para a economia e saúde pública da humanidade. Em qualquer cenário, o uso da biodiversidade deve aliar-se aos esforço para sua conservação e uma das ferramentas mais importantes são as Coleções Biológicas.

Coleções biológicas são amostras e espécimes sistematicamente acondicionados para fins de pesquisa, produção, cultura e educação. Incluem repositórios de amostras biomédicas, artefatos humanos, amostras de história natural (rochas, plantas, animais) e diversos outros objetos de estudo científico. Com frequência as Coleções disponibilizam amostras que documentam as condições em um momento e lugar (como amostras ambientais), e podem ser críticas para a regulamentação governamental ou decisões judiciais.

As Coleções Biológicas permitem estabelecer uma linguagem biológica universal e viabilizam uma amostragem da diversidade biológica e genética ao longo da distribuição das espécies tornando-se uma ferramenta essencial no controle, conservação e uso sustentável da biodiversidade. Muitas instituições abrigam coleções de conteúdo biológico, desde organismos inteiros preservados a bibliotecas de DNA, linhagens de virus e bactérias. Estas coleções poupam milhões de verba dos governos e contribuintes ao efetivamente orientar os gastos das políticas públicas, prevenindo eventos catastróficos em saúde e segurança, eliminando a redundância, assegurando recursos naturais, agrícolas e ajudando a preserver a biota silvestre.

A necessidade de conciliar bioprospecção e conservação da biodiversidade é urgente e ambas as abordagens passam pelo uso substancial de Coleções. No entanto, essas contribuições são amplamente subestimadas pelo público e pelos formuladores de políticas, resultando em apoio financeiro insuficiente para a sua manutenção e melhoria. As coleções biológicas são, portanto, estratégicas e, as vezes, a única ferramenta para produzir ciência de qualidade em conservação e bioprospecção, embora sejam pouco divulgadas.

 

 

Os objetivos principais do II ENCBI são: 

  • Identificar as principais lacunas de conhecimento que podem ser preenchidas por meio do uso integrado de coleções biológicas e diferentes disciplinas;

  • Demonstrar o impacto de coleções biológicas para acessar a história e conservação da biodiversidade;

  • Demonstrar o impacto de coleções biológicas na busca sistemática por organismos, genes, enzimas, compostos, processos e partes provenientes de seres vivos, que tenham potencial econômico e, eventualmente, levam ao desenvolvimento de um produto;

  • Destacar exemplos dos benefícios e impactos que as coleções biológicas estão promovendo na ciência e na sociedade;

  • Ilustrar como bioprospecção e conservação da biodiversidade podem caminhar de mãos dadas.

Otílio - Coleção Científica